Novas tecnologias Microsoft: Do ceticismo à curiosidade

Há aproximadamente cinco anos uma centena de estudantes estava presente em um evento que, pelo menos para mim, seria inesquecível. O palestrante começou se desculpando pela ausência do então Country Manager da Macromedia, Eduardo Sambugaro, mas completou dizendo que ele participaria a distância. Logo estávamos vendo e ouvindo o Eduardo através de uma aplicação de vídeo-conferência criada numa ferramenta, até então de animação, chamada Macromedia Flash. O show estava só começando.

O Eduardo dizia, através daquela vídeo-conferência, que naquele dia nós conheceríamos uma tecnologia inovadora. Pouco depois de percebermos que ele andava enquanto falava nos surpreendemos ao vê-lo entrar na sala segurando uma webcam. Sim, o Eduardo só estava fingindo que não estava presente e o que ele fez em seguida foi mostrar como construir tal aplicação de vídeo-conferência em cinco minutos usando o Flash. Os “estudantes” aplaudiram entusiasticamente.

Algum tempo depois a Macromedia cunhava o termo Rich Internet Applicatiom (RIA) e anos mais tarde, provavelmente motivado pelo fascínio pelas RIAs, eu estava trabalhando na Macromedia. Agora, falando do presente, eis que nos últimos dias eu participo de um evento da Microsoft sobre suas tecnologias inovadoras para a Web.

O Fabio Terracini já se encarregou de publicar excelentes informações sobre o evento. Por isto, eu pretendo adotar uma abordagem diferente. Uma abordagem onde tento expressar mais o que eu senti e menos o que eu vi. Uma volta ao passado, mas com um pé no futuro.

Eu estava um tanto cético nas primeiras apresentações da Remix, afinal de contas o discurso da Microsoft sobre suas tecnologias inovadoras não era nada inovador até então. A mensagem era a mesma que a extinta Macromedia(hoje Adobe) tentava passar há cinco anos atrás. Para aumentar o meu ceticismo, confesso que era inevitável julgar a Microsoft por copiar as outras empresas.

E como não julgar se podemos dizer que a Microsoft estava apresentando uma ferramenta “inovadora” para cada ferramenta que já existe na Adobe? Pois se a Adobe tem o Dreamweaver, a Microsoft apresentava o Expression Web; se a Adobe tem o Illustrator, a Microsoft apresentava o Expression Design; se a Adobe tem o Flash (Authoring Tool), a Microsoft apresentava o Expression Blend; se a Adobe já tem o Adobe Bridge, a Microsoft apresentava o Expression Media. E enquanto as pessoas que nunca haviam visto aquele tipo de demonstração ficavam impressionadas, tais como os estudantes dos tempos antigos da Macromedia, eu estava totalmente indiferente por ainda não ter visto nada tão surpreendente. No entanto, aos poucos, alguns detalhes sutis começaram minar a minha resistência.

Tanto a Microsoft quanto a Adobe considera que suas ferramentas devem trabalhar de forma integrada. E antes mesmo de ver como se integravam as ferramentas da Microsoft eu percebia que seus próprios nomes ajudavam passar uma sensação de integração muito forte. Era tudo Expression, logo deveria existir alguma relação. Expression “Isto”, Expression “Aquilo”, e estava explicito que a integração era importante para a Microsoft. E tudo isto por causa dos nomes. Não é a toa que muitos consideram a Microsoft a maior empresa de Marketing do mundo. Dizem até que o nome Mix é uma mensagem para a Adobe que tem um evento parecido chamado Max. Algo do tipo: “Adobe, tome cuidado porque nós estamos chegando com tudo”. Além disso, a psicologia marqueteira diria que eles tiram proveito do fato das pessoas já conhecerem um nome para facilitar a sua mensagem. Existiria uma relação um tanto subliminar entre os nomes Flash e Silverlight?

Outro detalhe que me chamou atenção é como a Microsoft parece bem mais ensaiada no seu discurso. Eles bateram muito em algo que todos nós que criamos Softwares sabemos: Designers e Desenvolvedores não se bicam. Existe um problema cultural e histórico e, adivinhe, a Microsoft teria vindo ao mundo para resolvê-lo. É verdade que depois de refletir por um instante eu entendi que isto é algo que a Adobe (Macromedia) tenta resolver também, mas nunca a vi ser tão explicita sob este aspecto. A Microsoft parece saber melhor do que ninguém como transformar um problema em algo realmente grande, para logo depois propor uma solução que agrega valor.

Quando começaram as apresentações mais detalhadas das ferramentas “inovadoras”, o meu ceticismo que tinha começado a diminuir voltou a aumentar. Era impressionante a semelhança entre as ferramentas da Microsoft e as da Adobe. Logo pensei com desdém: cópia! No entanto, depois de alguns exemplos de performance que impressionaram e algumas funcionalidades que as ferramentas da Adobe realmente não possuem, o meu ceticismo voltou a diminuir.

É verdade que os nomes Expression “Isto”, Expression “Aquilo”, são uma boa jogada de Marketing para representar integração, mas ou os palestrantes da Remix são muito bons de apresentação ou esta integração é boa mesmo, inclusive a integração entre Designers e Desenvolvedores que usam o Expression Studio e o Visual Studio respectivamente. A minha impressão geral é que as ferramentas da Microsoft foram pensadas, desde o início, para serem integradas e complementares. Isto não aconteceu com as ferramentas da Adobe, que nasceram separadas e foram sendo adaptadas para garantir a integração – eu tenho a opinião que nada que é adaptado é tão bom como algo que nasceu com aquele objetivo. Em outras palavras, enquanto a Adobe fala de kit para integrar o Flash e o Flex, na Microsoft a integração parece ser transparente. Se eu fosse a Adobe eu ficaria preocupado.

Nos melhores momentos das apresentações cheguei a me sentir como aquele estudante do passado que se impressionava com as apresentações da Macromedia. No final, os aplausos não me pareciam tão entusiasmados, mas a sensação de que algo promissor estava nascendo era grande. Foi então que eu percebi que o fato das ferramentas da Microsoft serem semelhantes às ferramentas da Adobe não é algo ruim para nós que já trabalhamos com RIA há anos. Ao invés de “acusar” a Microsoft de plágio eu prefiro agradecer por eles facilitarem a minha vida, uma vez que a curva de aprendizado será bem menor. E por que eu desejaria aprender as soluções Microsoft? Porque se o que eles fizeram for realmente melhor é isto que eu gostaria de usar no futuro! O que me importa é quem será capaz de fornecer a melhor tecnologia para que eu possa fazer o que eu mais gosto: Softwares que as pessoas usam porque gostam, não porque são obrigadas! Eis que o meu ceticismo deu lugar à curiosidade.


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